Os homens e o poder (quase) perdido nas empresas

O tempo investido e o esforço desprendido diariamente para sobreviver, e ainda, ser a cada dia mais competitivo no mercado, levaram os homens a se tornarem reféns das suas próprias conquistas nas empresas, abrindo um mar de oportunidades, por cansaço ou desinteresse, para as mulheres, que acompanharam a evolução e as realizações do sexo oposto, e no momento certo, assumiram o papel renegado por eles nas organizações.

Apesar do alerta ter soado há pelo menos uma década, a estratégia dos homens em seguir e perseguir uma carreira na empresa, desde o chão de fábrica até uma confortável sala na diretoria, passou a ser uma rotina para elas também, o que proporcionou uma luta mais acirrada por um lugar de destaque nas organizações.

Mas o que de fato aconteceu com o desempenho do homem na empresa?

No passado ele tomava a iniciativa em todas as questões empresariais, mas com o passar dos anos foi vencido pela angústia de fazer sempre melhor, o que prejudicou e viciou o raciocínio, antes rápido, motivador e conquistador das equipes gerenciadas por ele.

Durante muito tempo sua perspicácia permitia a prática do próprio desenvolvimento na organização, mas a constante necessidade de estar na crista da onda do mercado o afastou do objetivo de buscar o conhecimento no mercado e reciclar-se constantemente.

Para incorporar esta imagem de um ser alienado em declínio, a concorrência acirrada colocou em cheque a sua virtude de transparecer a integridade e a honestidade na organização, arrastando suas crenças para o lado negro das relações mercadológicas.

Mesmo quando restou apenas a disponibilidade dos recursos financeiros e operacionais para conduzir a equipe para resultados concretos, o dito sexo forte fazia disto o suficiente para atingir os objetivos propostos, criando frágeis mais suficientes pilares para ele permanecer por anos na direção da organização, apesar da progressiva ruína do espírito empreendedor, que lentamente foi apagando o imperativo para o sucesso na gestão empresarial, as ações práticas para a busca dos sonhos mais difíceis de serem alcançados e transformados em produtos e serviços de sucesso de vendas.

Na verdade, o status quo provocado pela cadeira do poder fez o homem pressupor sua perenidade nos postos de chefia e gerência das organizações. Assim, ajudar as outras pessoas a desenvolver-se passou de trampolim de desenvolvimento empresarial para o caminho mais provável de perder o cargo conquistado.

Portanto, inspirar e motivar os outros foram mais um elo quebrado da corrente gerencial, primeiro pelo claro risco da substituição e depois pelo desenvolvimento de uma visão turva, cúmplice em não realizar esta ação, por acreditar na sua insignificância, e com o passar do tempo, ele simplesmente decidiu em abandonar o plano profissional traçado no início da carreira profissional.

Como a construção de relacionamentos ficou para trás, em razão, em parte, das atitudes do cotidiano empresarial e também pelas falsas virtudes das inúmeras reuniões e horas extras realizadas ao longo do tempo, acabaram por depositar toda a fé na missão de colaborar e trabalhar em equipe para a criação de um personagem forte e destemido, que para a decepção de muitos se tornou um colaborador alienado na organização, incapaz de praticar a sinergia em grupo.

Como resultado desta marginalização gerencial, estabelecer metas desafiadoras ficou somente no quadro da parede e com o tempo deixou de ser importante para ele, afinal o resultado do mês em curso sempre foi o alvo principal, o restante era apenas parte do texto do ator coadjuvante nas atividades como gestor.

Nesta onda perigosa qualquer atitude para promover as mudanças necessárias o levaria certamente para locais desconhecidos, e quase sempre muito longe dos limites financeiros da organização, provocando a busca pelo “onde foi que errei”, e, portanto, começar tudo novamente.

Assim, quando a principal tarefa do dia estava centrada em solucionar os problemas e analisar as questões, a conseqüência lógica era intensificar a presteza em ações integradas extremamente automatizadas, até chegar ao ponto de tentar resolver novos problemas com o uso de velhas soluções, sem o tempo desejado para analisar os resultados, pois sempre o certo trazia à tona ações declaradas como errada que ainda estavam próximas da superfície.

É evidente que a dificuldade de se comunicar de forma poderosa e clara, foi em parte causada pela repetição sem um critério lógico, em outra pela falta de paciência, forçou a criação de uma nova rota, que o levou para um lugar mais próximo do fundo do poço, junto com toda a arrogância técnica acumulada.

As tentativas de conectar a sua equipe com o mundo exterior, sempre foram mais vistas como ações envoltas em mistério, sejam por desconhecimento de como fazer, ou ainda, pelo medo da abertura das portas da empresa para um mundo mais complexo e arriscado.

Para a salvação do homem restava a sua força empreendedora de saber como inovar, porém, se o tempo já era extremamente escasso para colocar nas prateleiras os atuais produtos e serviços sobravam apenas alguns instantes para ele reverter os atuais processos e implantar novas e rentáveis idéias.

Neste estágio, possuir experiência técnica e profissional já não fazia mais diferença, aquilo que o ajudou a alavancar a carreira na empresa, diluiu na mesma proporção da marginalização do negócio em relação ao mercado.

Apesar do cenário totalmente desfavorável ele ainda tem o poder de desenvolver uma nova perspectiva estratégica em relação à organização e fazer dele um gestor de sucesso, ao menos durante o tempo em que suas habilidades conseguirem suportar os conflitos das relações empresariais, conciliando a sua razão com as necessidades dos clientes.

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