Adequar os “ses” das dívidas da empresa.

Os empresários insistem em achar culpados pelo aumento das dívidas, que invariavelmente, segundo suas declarações, não são eles, mas sim os bancos, e os juros exorbitantes atrelados aos empréstimos e financiamentos, ou ainda, as oscilações de mercado, sem qualquer lógica, que fazem da gestão do negócio um catálogo de profecias, abarrotado de boas intenções, acompanhadas da conjunção condicional “se”.
Se o mercado se comportasse desta forma, ou de outra, ou…
Se eu não tivesse realizado o empréstimo naquele mês, mas no outro, e, assim por diante.
Seja lá como for às dívidas nas empresas sempre existirão, com maior ou menor influência nos resultados financeiros, mas sempre serão totalmente dependentes da decisão tomada por seus gestores.
O grande vilão desta história, invariavelmente é a necessidade de recompor mensalmente o capital de giro, muito falado e discutido no meio empresarial, porém, pouco compreendido, e, claro ao universo dos “ses”.
Se a empresa amplia a variedade de produtos e serviços, engordando o estoque, de produtos ou de h-H, irá precisar de mais dinheiro no caixa para honrar os compromissos com fornecedores, folha de pagamento ou terceirizados.
Se a empresa aumenta o faturamento, irá precisar de mais dinheiro no caixa para complementar o novo nível de estoque.
Se a empresa sofre a redução do faturamento, irá precisar de dinheiro no caixa para suplementar a redução de entrada de recursos financeiros, pois os custos fixos se mantêm inalterados e provavelmente os valores de pagamentos aos fornecedores também, até que os estoques se acomodem à nova realidade de retração.
Se a empresa sofre com a constante inadimplência, irá precisar de dinheiro no caixa para recompor o capital de giro.
Estes “ses de causa” poderiam ser prolongados por diversas páginas, afinal o dia a dia de uma empresa é sujeito a uma infinidade de variações mercadológicas, boas ou ruins, causadoras de grandes ou pequenos impactos nas relações comerciais, mas sempre influenciando o fluxo de caixa da empresa.
A dívida já está lá, instalada e acomodada, com a firme intenção de permanecer indefinidamente no caixa da empresa.
O empresário com o papel de anfitrião desta desagradável convidada, que algumas vezes entra como penetra no fluxo de caixa, precisa dispor de todas as artimanhas para empurrá-la para fora, ou ao menos mantê-la sobre controle, para que não aconteça o Armagedom Financeiro, causado em função da enxurrada de um sem número de tipos de dívidas, sedentas dos recursos da empresa.
Para providenciar a criação sistemática das barreiras contra o excesso de dívidas, alguns “ses de ajuste” são providenciais para o fortalecimento e o desenvolvimento do negócio.
Se a empresa mantiver os controles financeiros em dia e alimentando com qualidade as planilhas de análise de resultados, irá precisar do dinheiro que dispõe para manter o fluxo de caixa nivelado.
Se a empresa adequar constantemente o estoque de produtos e h-H às realidades do mercado e dos limites financeiros do fluxo de caixa, irá precisar de menos dinheiro para sustentar o capital e giro.
Se a empresa limitar ao máximo possível os prazos de pagamentos por parte dos seus clientes, irá precisar de menos dinheiro para sustentar o capital de giro mensal.
Se a empresa somente realizar compras a vista quando os fornecedores oferecerem condições sem precedentes, mesmo assim até um determinado limite, irá precisar de menos dinheiro para recompor o capital de giro mensal.
Se a empresa utilizar os índices calculados de elaboração dos custos e de formação dos preços de venda, irá precisar do dinheiro adequado para recompor os estoques e ainda atender as necessidades de capital de giro mensal.
Estes outros “ses” também poderiam se prolongar nesta explicação.
É importante que o empresário tenha sempre em mente que a composição das dívidas e da necessidade de capital de giro fazem parte da sua responsabilidade no cotidiano empresarial.
São as suas atitudes providenciais, com base em informações de qualidade, no tempo certo e na medida adequada, sem o vacilo do “se”, que possibilitará a empresa navegar com segurança no mercado, fascinando os seus clientes, e também, trazendo e mantendo a maior parte das riquezas conquistadas.

One response to “Adequar os “ses” das dívidas da empresa.

  1. Muito bom.Acho que podemos utilizar esse início para nosso trabalho sobre endividamento/cobrança de dívidas/vendas bem feitas.
    Abs
    Paulo Viana

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